Nem sei o que esses olhos podem dizer assim;
São tão singelos fechados, delicados como uma rosa,
Que a noite, como uma mãe de uma criança chorosa
A recolhesse em seus braços, e como um manto, velasse teu jardim!
Por tênue pétala, se esconde o néctar de tua retina;
Que a manhã espera paciente; para levar em cada olhar
A lembrança que vai junto ao sentimento em outra flor semear
A semente de uma mulher, fruto de uma menina...
Toca a tuas pétalas rubras, delicadamente a luz
Que faz cair de cada canto do jardim teu orvalho;
Lágrimas a escorrer até o solo de tua boca...
E fico eu a olhar imóvel tudo, em uma rústica cruz,
Enquanto tu ti abres como um anjo, e deixa minha voz rouca,
Ao saber que nem voz tenho, sendo um mero espantalho...
Nícolas Nunes
segunda-feira, 28 de março de 2011
sexta-feira, 4 de março de 2011
O toque
As palavras são a ausência do toque;
Linguagem sem sentido para o corpo
Que vê em cada dedo uma letra que desloque
De sua pele o sentido adormecido e torpo.
A letra só se forma pelo contato;
Como um lápis a percorrer o papel
Deixando a mão atrás de si um rastro
Igual ao rastro das nuvens a cruzarem o céu...
As palavras são toques ritmados
Que tiram da tua boca os suspiros abafados
Como uma flauta doce em meus lábios.
Os poemas são corpos soletrados
Um pelo outro devassados
Como uma flauta doce em teus lábios...
Linguagem sem sentido para o corpo
Que vê em cada dedo uma letra que desloque
De sua pele o sentido adormecido e torpo.
A letra só se forma pelo contato;
Como um lápis a percorrer o papel
Deixando a mão atrás de si um rastro
Igual ao rastro das nuvens a cruzarem o céu...
As palavras são toques ritmados
Que tiram da tua boca os suspiros abafados
Como uma flauta doce em meus lábios.
Os poemas são corpos soletrados
Um pelo outro devassados
Como uma flauta doce em teus lábios...
quarta-feira, 26 de janeiro de 2011
Origami

Teus lábios são como uma rosa de papel
Se abrem ao toque dos dedos,
Sendo seus beijos segredos
Espremidos entre dois céus.
Tuas lágrimas são vasos transparentes
Que guardam tuas palavras no ar esvaídas
Como folhas dos sentidos caídas
Em teus olhos indulgentes.
Carregas o silêncio de uma gueixa;
Estampado em tua mascará o sorriso
Que encobre teu soluço de queixa...
Tua alma toda é um origami
Teus gritos dobrados em silêncio preciso
Em teus lábios sem nenhum reclame...
Nícolas Nunes
segunda-feira, 17 de janeiro de 2011
Soneto
Que o fio de tuas lágrimas seja
Como a corrente perolada de um abajur invisível
Que ao puxar de teus olhos a tristeza que aí esteja
Acenda em teus lábios um riso indizível.
Que os raios de Sol nas curvas de teus cabelos
Descansem de suas formas retas e intocáveis,
E que mãos sensíveis possam colhê-los
Como trigos maduros de campos inalcançáveis.
Que teus vazios sejam como espaços
Que permitam a sua costura
Com a linha branca de teus braços
Que entram e saem dos abraços
Deixando pontos invisíveis de uma sutura
Que na própria carne fecha seus laços.
Como a corrente perolada de um abajur invisível
Que ao puxar de teus olhos a tristeza que aí esteja
Acenda em teus lábios um riso indizível.
Que os raios de Sol nas curvas de teus cabelos
Descansem de suas formas retas e intocáveis,
E que mãos sensíveis possam colhê-los
Como trigos maduros de campos inalcançáveis.
Que teus vazios sejam como espaços
Que permitam a sua costura
Com a linha branca de teus braços
Que entram e saem dos abraços
Deixando pontos invisíveis de uma sutura
Que na própria carne fecha seus laços.
quarta-feira, 29 de dezembro de 2010
Da distância
Mas as bocas se partem como fruto maduro
Que deixasse a semente do silêncio
Semeada em nossa distância.
Que deixasse a semente do silêncio
Semeada em nossa distância.
Sakura
quinta-feira, 22 de julho de 2010
quarta-feira, 21 de julho de 2010
Metáfora espontânea
Estive a conversar com uma amiga que nunca vi, via msn, a conversa foi fluindo até que estávamos falando sobre instrumentos musicais, especificamente sobre um pandeiro. Instrumento que é bastante estigmatizado geralmente, e ela me contou que o melhor presente que recebeu do namorado foi um pandeiro, pois ela tinha um de estimação que deu de presente para um amigo, ficando assim sem sua companhia barulhenta, e me perguntou se eu não sabia de nenhum instrumento; disse que não, que queria aprender violão ou mesmo violino (apesar do menor sucesso com as mulheres), então ela disse uma frase simples, disse-a como se dá um sorriso involuntário a quem se gosta:
Ela-Você toca algo?
Eu-Nadinha
Eu-Tentei violão, mas nem
E finalmente ela;
-Toca o coração dos outros então,já é uma boa batida.
Fez meu dia mais feliz. =)
Ela-Você toca algo?
Eu-Nadinha
Eu-Tentei violão, mas nem
E finalmente ela;
-Toca o coração dos outros então,já é uma boa batida.
Fez meu dia mais feliz. =)
sábado, 3 de julho de 2010
O que ela disse...
E ela dobrou tanto as palavras na boca, que quando foi dizer a ele entregou um origami de silêncio em suas mãos, mas que era tão delicado que não se via uma dobra sequer, de papel tão sutil que nem se percebia a cor e de tal leveza que um suspiro desfez.
domingo, 6 de junho de 2010
Dor desconhecida
Dor desconhecida
Vês que tens dia que todo mundo
Recai sobre nossos frágeis ombros;
Tentamos nos achar e nos perdemos em escombros
Que se espalham como nossas lágrimas em profundo
Silêncio, ninguém as ouve. Ninguém entende
Como pode um rio transbordar do fundo da terra,
Pois é assim que nossos olhos fazem quando se encerra
E corre por debaixo de seu olhar a dor que ninguém compreende!
Apenas o peito quando se torce em si mesmo
É que pode se entender, falar é atirar a esmo
Teus sentimentos; são pétalas colhidas por teu anjo
Que delicado as coloca outra vez na rosa
Da vida que mesmo vacilante desabrocha vistosa
Para sem palavras nos fazer entender seu sutil arranjo.
N.N.F.
Vês que tens dia que todo mundo
Recai sobre nossos frágeis ombros;
Tentamos nos achar e nos perdemos em escombros
Que se espalham como nossas lágrimas em profundo
Silêncio, ninguém as ouve. Ninguém entende
Como pode um rio transbordar do fundo da terra,
Pois é assim que nossos olhos fazem quando se encerra
E corre por debaixo de seu olhar a dor que ninguém compreende!
Apenas o peito quando se torce em si mesmo
É que pode se entender, falar é atirar a esmo
Teus sentimentos; são pétalas colhidas por teu anjo
Que delicado as coloca outra vez na rosa
Da vida que mesmo vacilante desabrocha vistosa
Para sem palavras nos fazer entender seu sutil arranjo.
N.N.F.
Assinar:
Postagens (Atom)
