segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Molecagem

As lágrimas são como pedras
Que quebram por dentro a janela
De teus olhos.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Quimono



Teus cabelos por sobre tua face
Caem como um dourado quimono;
A rosa que em teu lábio encontra disfarce
Em um riso devolve a primavera ao outono.

E a franja que teu rosto oculta
Forma o mais delicado okumi;
Tal como a bainha esconde a lâmina da luta,
Teu cabelo guarda de teus olhos o gume.

E embora não haja costura
Entre nenhum de teus fios,
Teu quimono soa como a melodia mais pura;

Assim também são as cordas de um violino
Que preenchem com acordes seus espaços vazios
Ao ecoarem a mais bela música de seu corpo feminino.



Obs.: Okumi é a maneira como o quimono se sobrepõe em duas peças, que podem recobrir uma a outra, dando fluidez a peça.

segunda-feira, 28 de março de 2011

Olhos fechados

Nem sei o que esses olhos podem dizer assim;
São tão singelos fechados, delicados como uma rosa,
Que a noite, como uma mãe de uma criança chorosa
A recolhesse em seus braços, e como um manto, velasse teu jardim!

Por tênue pétala, se esconde o néctar de tua retina;
Que a manhã espera paciente; para levar em cada olhar
A lembrança que vai junto ao sentimento em outra flor semear
A semente de uma mulher, fruto de uma menina...

Toca a tuas pétalas rubras, delicadamente a luz
Que faz cair de cada canto do jardim teu orvalho;
Lágrimas a escorrer até o solo de tua boca...

E fico eu a olhar imóvel tudo, em uma rústica cruz,
Enquanto tu ti abres como um anjo, e deixa minha voz rouca,
Ao saber que nem voz tenho, sendo um mero espantalho...

Nícolas Nunes

sexta-feira, 4 de março de 2011

O toque

As palavras são a ausência do toque;
Linguagem sem sentido para o corpo
Que vê em cada dedo uma letra que desloque
De sua pele o sentido adormecido e torpo.

A letra só se forma pelo contato;
Como um lápis a percorrer o papel
Deixando a mão atrás de si um rastro
Igual ao rastro das nuvens a cruzarem o céu...

As palavras são toques ritmados
Que tiram da tua boca os suspiros abafados
Como uma flauta doce em meus lábios.

Os poemas são corpos soletrados
Um pelo outro devassados
Como uma flauta doce em teus lábios...

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Origami



Teus lábios são como uma rosa de papel
Se abrem ao toque dos dedos,
Sendo seus beijos segredos
Espremidos entre dois céus.

Tuas lágrimas são vasos transparentes
Que guardam tuas palavras no ar esvaídas
Como folhas dos sentidos caídas
Em teus olhos indulgentes.

Carregas o silêncio de uma gueixa;
Estampado em tua mascará o sorriso
Que encobre teu soluço de queixa...

Tua alma toda é um origami
Teus gritos dobrados em silêncio preciso
Em teus lábios sem nenhum reclame...

Nícolas Nunes

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Soneto

Que o fio de tuas lágrimas seja
Como a corrente perolada de um abajur invisível
Que ao puxar de teus olhos a tristeza que aí esteja
Acenda em teus lábios um riso indizível.

Que os raios de Sol nas curvas de teus cabelos
Descansem de suas formas retas e intocáveis,
E que mãos sensíveis possam colhê-los
Como trigos maduros de campos inalcançáveis.

Que teus vazios sejam como espaços
Que permitam a sua costura
Com a linha branca de teus braços

Que entram e saem dos abraços
Deixando pontos invisíveis de uma sutura
Que na própria carne fecha seus laços.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Da distância

Mas as bocas se partem como fruto maduro
Que deixasse a semente do silêncio
Semeada em nossa distância.

Sakura


Teus lábios vermelhos esmaecidos em tua face
São como as pétalas de uma Sakura
Que na eternidade de um beijo que pouco dura
Toda a árvore desfolhasse.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Silêncio

...Porque o silêncio é só mais uma dobra do indizível

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Metáfora espontânea

Estive a conversar com uma amiga que nunca vi, via msn, a conversa foi fluindo até que estávamos falando sobre instrumentos musicais, especificamente sobre um pandeiro. Instrumento que é bastante estigmatizado geralmente, e ela me contou que o melhor presente que recebeu do namorado foi um pandeiro, pois ela tinha um de estimação que deu de presente para um amigo, ficando assim sem sua companhia barulhenta, e me perguntou se eu não sabia de nenhum instrumento; disse que não, que queria aprender violão ou mesmo violino (apesar do menor sucesso com as mulheres), então ela disse uma frase simples, disse-a como se dá um sorriso involuntário a quem se gosta:

Ela-Você toca algo?

Eu-Nadinha

Eu-Tentei violão, mas nem

E finalmente ela;

-Toca o coração dos outros então,já é uma boa batida.

Fez meu dia mais feliz. =)