terça-feira, 18 de julho de 2017

Clínica médica

Pensava antes que somente a cirurgia
Com suas mãos hábeis na sutura
Retirava do corpo a doença obscura
E retomava ao doente a alegria!

Mas o essencial? O essencial aos olhos é invisível!
Nossas mãos não cortam os corpos doentes
Mas penetram nas almas carentes
Tirando do sofrimento um riso imprevisível!

A clínica não é sobre farmacologia,
O médico não é feito de uma prescrição fria.
A clínica é sobre dignidade

É sobre o cuidado para além da doença
Poque cada doente é antes de tudo uma vivência
Sobre a nossa verdadeira humanidade.

segunda-feira, 31 de outubro de 2016


Talvez

Talvez seja de um riso moldado em teu rosto de palhaço
Que sequem as tintas voláteis das lágrimas das crianças
Que ti apertam em seus pequenos membros num sutil laço
Amarrando nesse abraço a quase perdida esperança.

Talvez seja em teus dedos numa cirurgia delicada
Que pulsa um coração nas artérias que cobrem a máquina humana
Dos pensamentos que tua sutura irá segurar uma vida quase encerrada
Como quem com as mãos cobre uma pequena chama do vento.

Talvez, não sei, sejam as crianças o teu caminho,
Não dizia jesus: venham a mim as criancinhas,
Porque delas são o reino dos céus...

Mas essa é uma vereda em que se entra sozinho
Em que essas simples palavras minhas
Não conseguem tirar do mistério da vida seus véus.





Alice

Alice é a menina que pondera mais em outras alturas,
Pensam os clínicos que sua escrita é lenta
Mal sabem eles que a água que apascenta não é dada à tormentas,
No entanto, mata a sede do corpo e da alma sendo assim calma e pura.



Faz muito tempo que não posto aqui! Estou no internato de medicina e muita coisa mudou ou pouca coisa, não sei, até hoje, no 6, 7 e 8 período consegui me dedicar bastante, e acabei esquecendo ou esquecendo mesmo quase que por completo a leitura e a poesia, mas acho que mais por desorganização mesmo, porque muitas vezes não estudava tampouco escrevia. Enfim um pequeno quarteto se alguém ainda lê esse blog.

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Soneto

Teu riso é um fruto de teus lábios abertos
Em que as sementes de teus dentes
São plantadas nos olhos incertos
Daqueles que ti vêem, mas permanecem ausentes.

São frutos que pendem de teu coração;
Fecundados das flores de tua alegria
Que florescem ao toque de um novo dia
Nas hastes de tua emoção.

E tuas lágrimas, são nada mais que águas
Que inundam teu rosto
Com as marcas passageiras de tuas mágoas

Revolvendo o solo de tua face
Deixando teu sorriso exposto
Despido de qualquer disfarce.

domingo, 3 de agosto de 2014

Por mais palavras que escrevesse para ela sempre me faltava o principal; não conseguia encaixar os silêncios de nossas bocas...
Nem percebi

Depois por meu tolo orgulho me afastei de ti, o que falei não era de
um todo verdade; não queria ti deixar desamparada, sem lugar para
aconchegar tua delicada cabeça ou para falar com tuas tantas vozes.
Talvez o outro me deixasse pertubado, outro que pudesse sorver de tua
boca mais que palavras, que pudesse ti aconchegar entre os braços e ti
alisar os cabelos como quem passa as mãos por sobre a água de um
riacho. Me senti deficiente, por ter que andar em tua direção com o
auxílio de minhas palavras, de ter que nos juntar separando-as.

Sim nem percebi;
Nem percebi teu riso, como um saco de pipocas, quando teus dentes
pulam de tua boca aos meus olhos.

Nem percebeste como queria tê-lo visto.

Nem percebi tuas lágrimas rolarem de tua face, lágrimas são como
bolhas que se esqueceram de voar, e por isso num voou suícida se
lançam de nossos rostos a tentarem planar no ar, por isso têm a forma
de um pará-quedas.

Nem percebeste como queria tê-las visto deslizar por sobre teu rosto.
Tear ou da ausência

Os dedos não podem tecer o toque
Como um algodão doce que tua pele
Em suas pontas não se enrosque
E nas elipses de meus dedos se revele.

Não posso tecer com teus cabelos
Luvas; minha mão como tear sem fio,
Quer entre meus dedos prendê-los
E tece a si mesma com o vazio.

E se a distância teu corpo impede
De tê-lo nas vestes de meus abraços,
Aos teus olhos minha palavra concede

Que costurem em seus canteiros
A roupa que lhe cobre os cansaços,
A lágrima que se estende por teu corpo inteiro.

Nícolas Nunes Ferreira


Não posso vestir teu corpo, mas acabo dando a ti o mais
sincero vestido, o mais transparente de todos.

terça-feira, 6 de maio de 2014

A tua canção

Teu corpo é como uma nota muda
Que ecoa por teus lábios delicada
A se dissolver como um ostia sagrada,
Na canção que teu peito inunda

E em tua boca transborda
Da represa de teus lábios arqueados
Os rios de teus sentimentos guardados
Que teu coração recorda.

E como um relógio de areia
Que se esvazia de si mesmo
O silêncio se enche de tua voz;

E teu ser que tudo anseia
Se atira na multidão a esmo,
E no meio de todos, permanece a sós.

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Outro Soneto

Teus olhos apertados são como lanternas
Japonesas que guardam a luz em seu interior
Iluminam a tua alma, e das camadas mais internas
Do teu ser projetam para fora a tua dor.

E essa luz que teu olhar aprisiona
Acende o delicado papel de tua pele
Em formas que teu gesto coleciona
Nas pontas dos dedos que ao carinho se revele.

Na mais profunda escuridão
É que teu corpo mais se acende;
Teu corpo de cêra se desmancha em minha mão

E tua boca que é o pavio de teu desejo
Sem uma palavra entende
Que uma chama só se apaga em outra chama,
[e um beijo noutro beijo.

domingo, 23 de março de 2014

Soneto 

Quero que teu sorriso seja como uma prisão
De barras brancas que prenda a felicidade
Como um passáro de uma canção
Raramente ouvida pela humanindade.

Ou que seja como uma gôndola de veneza
Quando tuas lágrimas ti inundassem
Teu riso flutuasse por cima de toda tristeza
Como plantas que do fundo do mar se elevassem.

Quero que tuas mãos sejam como botões de rosas
Que desabrocham na manhã de um carinho
As suas petálas silenciosas;

E que as raízes de teus dedos escavem fundo
No peito solitário daqueles que cruzarem teu caminho
O próprio coração do mundo...